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José Eduardo dos Santos parecia decidido a não interferir na composição da lista de candidatos a deputados pelo Mpla. Na reunião do Comité Central onde se aprovou o que parecia ser a versão sinal, o presidente do Mpla terá dito que se deveria respeitar o que estava no papel.
Porém, na véspera da entrega da lista ao Tribunal Constitucional teve que fazer recurso à sua autoridade para estancar um problema queprometia intensas dores de cabeça. Na quinta-feira da semana passada, Adriano Mendes de Carvalho, número dois da lista de Luanda, soube do «Kremlin» que o seu nome tinha sido retirado da lista devido ao facto de no seu registo criminal constar um homicídio voluntário. A «descoberta», é o termo, iria forçar a direcção do partido a excluí-lo da lista. Surpreendido com a novidade, pois nunca teve problemas com a justiça, Adriano Mendes de Carvalho procurou passar a limpo o que se passava. O imbróglio viria a mobilizar o primeiro secretário do Mpla em Luanda, Bento Bento, de quem é um dos principais conselheiros. Bento Bento é referido por fontes familiares ao caso como tendo prevenido o secretário-geral dos camaradas em como renunciaria ao cargo se a direcção do partido não respeitasse a vontade dos militantes de Luanda, que «puseram» Adriano Mendes de Carvalho no segundo lugar da lista de candidatos a deputados. Mas a verdade é que nem a intervenção do primeiro secretário provincial de Luanda resolveu o caso. No Kremlin, o secretário-geral do Mpla, Dino Matross, parecia completamente incapaz de resolver um problema que se lhe afigurava demasiado bicudo para as suas possibilidades. Até ao final da semana, o número dois de Luanda permanecia proscrito. Fontes geralmente bem informadas disseram ao Semanário Angolense que o caso só voltou à primeira forma, após que o deputado Mendes de Carvalho, pai de Adriano, telefonou ao chefe do Gabinete do chefe do Governo, Nito Cunha, pedindo-lhe que lhe agendasse uma audiência com José Eduardo dos Santos. As fontes do Semanário Angolense dizem que o mais velho «Mendocas» teria dito que se a audiência não saísse iria à comunicação social denunciar a questão. O patriarca dos Mendes de Carvalho teria tomado a substituição do seu filho como um acto de perseguição a ele e à família. Ao que consta, José Eduardo dos Santos não recebeu o deputado, proferindo antes resolver o problema, fazendo o que evitara fazer na reunião do CC. Decidiu-se pela alteração da lista que tinha à sua frente, repondo o nome de Adriano Mendes de Carvalho. Homem prevenido, José Eduardo dos Santos resolveu por antecipação aquilo que ameaçava ser um bicudo problema para o Mpla. Na verdade, se Mendes de Carvalho se visse forçado à recorrer a jornalistas para dizer o que lhe vai na alma o carmo e a trindade não cairiam. Mas estariam muito próximo disso. Fonte: Semanário Angolense
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