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Depois de Jorge Valentim, mais duas figuras de renome da UNITA abandonaram o partido do «Galo Negro», para se aliarem no MPLA. O ex-deputado Mwanza Wa Mwanza e o ex-vice-ministro da Comunicação Social pela UNITA, Graciano Tulumo, reconheceram ontem, em Luanda, durante um comício no bairro Benfica, o fracasso do projecto do Galo Negro e pediram aos eleitores, o voto no MPLA.
Mwanza Wa Mwanza foi o primeiro a usar da palavra para explicar as razões da sua adesão ao MPLA. Com manifesta emoção, disse que, mesmo com muito apoio do estrangeiro, a UNITA foi incapaz de liderar a oposição e contribuir com ideias para o desenvolvimento do país. Militante desde os anos 80, Mwanza Wa Mwanza afirmou que faltou vontade política à UNITA para aglutinar as forças vivas existentes no país. “A lógica da política interna da UNITA baseia-se no tribalismo, regionalismo, separatismo e outras atitudes de nepotismo”, afirmou.
Mwanza Wa Mwanza diz que o segundo partido mais votado nas eleições de 1992 “não soube ler os sinais dos tempos e apenas se preocupou em fazer a guerra”. Expressando-se também em Kikongo e Lingala, Mwanza Wa Mwanza agradeceu a confiança da população e terminou a sua intervenção tal como começou, com saudações efusivas ao Presidente José Eduardo dos Santos e ao MPLA.
Muito aplaudido foi também o antigo vice-ministro da Comunicação Social, Graciano Tulumo. Advogado de profissão, lembrou o espírito de perdão do MPLA e a forma como o Presidente da República orientou as FAA, para que parassem com as acções militares, no Moxico, numa altura em que estas poderiam ter acabado com o exército do Galo Negro, que na altura lutava desesperadamente pela sobrevivência.
“Camaradas, lembrai aquele comportamento humano e humanitário que o MPLA teve para com os seus antigos inimigos, que estavam numa situação desesperada, à beira da morte, no Luena. O que seria daqueles senhores se o MPLA não parasse?”, questionou o governante.
Mais adiante, lembrou que, em 1998, quando a UNITA recusou depor as armas, ainda assim o MPLA não dissolveu a Assembleia Nacional nem o Governo de Unidade e Reconstrução Nacional (GURN), um acto legítimo e dentro das suas competências. “O MPLA mostrou que é um partido bom e humano”.
Tulumo afirmou ainda que o MPLA tem “uma característica importante, o da competência”. Recordou, a propósito, que antes do fim da guerra, alguns países prometeram apoiar Angola na sua reconstrução, assim que alcançasse a paz. Mas não foi o que aconteceu. “Chegou a paz e não quiseram ajudar, deixando para o MPLA a difícil missão de reconstruir, sozinho, o que foi destruído durante quase 30 anos de conflito armado”.
Entre aplausos dos presentes, Tululo frisou que “o MPLA nunca cruzou os braços e conseguiu reconstruir Angola. Hoje, o país sorri, sob o signo da construção de novas pontes, novas salas de aulas”, disse. E concluiu com um convite que fez vibrar as 100 mil pessoas que se deslocaram ao Benfica: “vamos todos votar no MPLA, no dia 5 de Setembro, porque ele é bom”.
Fonte:JA
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