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Igreja Católica de Angola desafia cidadãos a vencer os desafios das eleições para a paz em Angola |
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Escrito por : Cfr. no fim da pág
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08-Ago-2008 |
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A Igreja Católica de Angola considera que ainda há "apreensões" em relação às legislativas que se avizinham, mas desafia os eleitores a votar sem temores e a dar uma resposta aos políticos de que não desejam a guerra.
"Apreensões há, não o podemos negar, porque a experiência de 1992 foi dura e marcou muito as pessoas", afirmou à Agência Lusa o padre José Imbamba, director de comunicação da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST). "Muita gente está apreensiva, razão pela qual os bispos apelam a todas pessoas no sentido de não temerem [o voto], porque a participação cívica nas eleições é uma ocasião que cada cidadão deve aproveitar da melhor forma possível", frisou o responsável pela organização que congrega os bispos de Angola e de São Tomé e Príncipe.
Para José Imbamba, a única experiência eleitoral dos angolanos, em 1992, resultou numa "violência muito marcante" e que subsiste "aqui e acolá em algumas situações embaraçosas", mas também "normais para uma situação de tanta violência ao longo destes anos todos".
"Houve alguma dificuldade de as pessoas poderem assumir uma postura mais pacífica, mais conciliadora, de um cristão, de misericórdia, de perdão", disse José Imbamba.
No entanto, segundo o responsável pela CEAST, "o que se está a sobrepor é uma vontade de paz". Os bispos angolanos, frisou, verificam que os angolanos têm "a consciência clara" de que já não existem dois exércitos, como em 1992, e desafiam os angolanos a "dar uma resposta boa aos políticos, porque os políticos têm de ter presente que as pessoas não estão para a guerra".
"As pessoas querem viver bem, querem trabalhar em paz, conviver como irmãos e muitas vezes quem cria estes problemas todos são os próprios políticos e não o povo pacato que só quer viver bem e em paz", disse José Imbamba. "As eleições são uma oportunidade única para poder dar um passo rumo ao desenvolvimento e rumo à paz que devemos consolidar ainda mais", afirmou.
"É preciso que todo nós criemos a cultura de ver no outro não um inimigo ou um entrave ao desenvolvimento, mas um complemento para poder levar avante um projecto social", afirmou ainda o director de comunicação da CEAST. "É esta a mensagem que a Igreja não se cansa de transmitir", sublinhou.
Numa nota divulgada há um mês no Lubango, os bispos de Angola saudaram a fixação das legislativas para 05 de Setembro e consideraram que "o melhor modo de evitar uma guerra é fazer eleições que sejam incontestáveis porque livres, justas e transparentes".
Na mesma nota, os bispos lembraram que "a Igreja não deve ter cor partidária" e que, "sob sanção disciplinar", os representantes da instituição "não podem ser ao mesmo tempo líderes da comunidade cristã e activistas de partidos políticos", pedindo também aos fiéis que se abstenham de levar para lugares de culto símbolos da campanha.
Os bispos apelaram para o vencedor das eleições "cumprir com responsabilidade aquilo que prometeu", e quem as não vencer que "aceite o exercício da oposição como um serviço insubstituível em todo o regime democrático".
Fonte:Lusa
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