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O relatório do Ministério da Saúde (MS), divulgado na quinta pela Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro, cruza informações sobre ocorrências do vírus da doença no País e avalia a eficácia das políticas públicas nos municípios.
Geralmente divulgado em outubro, o documento Levantamento de Índices Rápidos (Lira), um mapeamento de regiões com potencial para ter surtos de dengue, foi antecipado este ano em virtude das eleições.
O Lira considera fatores diversos, como a circulação de tipos de vírus no País, as informações fornecidas por agentes em vistorias a residências, a concentração e mobilidade da população e condições de clima e de infra-estrutura urbana, além da infestação de mosquitos e os trabalhos de prevenção de cada Estado.
Segundo o Ministério da Saúde, embora o relatório deste ano ainda não tenha sido divulgado oficialmente, os governos estaduais já estão sendo alertados sobre o seu conteúdo. Além da Bahia e do Rio de Janeiro, o Lira 2008 cita ainda como áreas de alto risco o Distrito Federal e os Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí, Maranhão, Pará, Amapá, Amazonas e Roraima.
Os Estados com baixo risco de desenvolver surtos são Acre, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins e Paraná. Foram classificados como áreas de risco médio: Rondônia, Paraíba, Alagoas, Sergipe e Espírito Santo.
O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, reuniu-se na quinta em Brasília com a equipe técnica que vai elaborar uma estratégia de prevenção e de controle da dengue no próximo ano. Entre as medidas avaliadas está a criação de uma força nacional de combate à doença, sugerida pelos secretários estaduais de Saúde, que temem futuras situações de emergência, como a do Rio de Janeiro hoje.
Nos próximos dias, Temporão vai anunciar um plano de mobilização nacional de governadores, prefeitos e escolas em favor de ações permanentes de controle da dengue. A maior preocupação do ministro é a tendência de relaxamento das prefeituras durante o período eleitoral, gerando demissões de agentes municipais voltados à prevenção de epidemias. Na Bahia, a primeira epidemia de dengue foi detectada em 1987 em Ipupiara, no Sudoeste do Estado.
Vigilância – Ouvida a respeito, a diretora da Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab), Alcina Andrade, expõe o que ela acredita ser capaz de mudar tal panorama quando 2009 chegar.
“Em Salvador, por exemplo, a gente está deslocando servidores da Funasa de outras cidades para cá, e fazendo capacitação com médicos e enfermeiros para trabalharem no atendimento. Mas uma grande mobilização social é fundamental para que as pessoas percebam que o risco realmente existe. Tem que haver essa parceria com a sociedade”.
Sílvio Ribas | Sucursal Brasília
Colaborou Herbem Gramacho, do A TARDE
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