|
O II Congresso da CPLP encerrou hoje (quinta-feira), no Rio de Janeiro, Brasil, após fortes debates sobre a situação do VIH/SIDA em Angola, Brasil, Portugal, Cabo-Verde, Guine Bissau, Moçambique e São Tome, e a necessidade de se fortalecer os laços de cooperação para o combate à doença na CPLP.
Dos 33 milhões de pessoas infectadas no mundo, 22,5 milhões estão em África, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
A situação é especialmente grave entre as mulheres jovens, pois elas chegam a ser três vezes mais vulneráveis ao VIH/Sida do que os homens, facto que se deve ao acesso limitado à educação e ao trabalho, o sexo tratado como tabu em muitas famílias, a poligamia e a pouca capacidade de exigir o uso de preservativo.
No entanto, segundo a OMS, algumas melhorias foram observadas, pois a frequência de infecção por HIV em grávidas tem sido reduzida e houve um aumento significativo no número de pessoas em tratamento: enquanto em 2003 eram 1,3 milhão, em 2007 o número subiu para 2,1 milhões.
A directora nacional do Instituto de Luta contra a Sida, Dulcelina Serrano, ao falar de Angola no evento, disse que a taxa de prevalência da doença e de 2.1 porcento, uma taxa mais baixa em relação aos demais países da região austral de África. No entanto, existe preocupação com um possível alastramento da doença devido a circulação de pessoas de e para países vizinhos com índices elevados.
Para Cabo Verde, as experiências positivas estão no aumento do uso de preservativos pela população, verificada nos últimos anos, na melhoria do diagnóstico precoce e na cobertura pré-natal alcançada na ordem de 78%, pelos sistemas de saúde.
Segundo a directora geral do Ministério da Saúde, Jaqueline Pereira, uma das principais necessidades é investir no reforço das acções de prevenção entre jovens, por meio de programas que envolvam as escolas.
Já na Guine-Bissau, a educação também é um factor estratégico, porquanto o conhecimento da população sobre Sida ainda é muito restrito. "Numa pesquisa com jovens de 15 a 25 anos, cerca de 73 porcento respondeu acreditar que a doença é transmitida por meio de picada de mosquito", de acordo Tomé Sá, representante do Ministério da Saúde daquele país.
O director cientifico do Instituto Nacional de Saúde de Moçambique, Ricardo Thompson, destacou o controle dos casos e o sistema de sentinela , em sua dissertação, embora a ocorrência da infecção tenha começado a se estabilizar em nível no país como um todo, algumas regiões ainda apresentam crescimento. Para compreender melhor esta dinâmica, o governo iniciará ainda este ano um inquérito nacional sobre comportamento e prevalência do VIH.
O representante do Programa de Luta contra a Sida em São Tomé e Príncipe, Alzira Segundo, apresentou o plano estratégico que o país tem executado para o enfrentamento da doença, cuja meta e reduzir o risco de infecção, a vulnerabilidade e o impacto da epidemia, que, além de ter crescido entre os jovens, as mulheres e os mais pobres, já não está restrita às grandes cidades.
Durante o encontro foi igualmente espelhado os progressos e os desafios em relação ao desenvolvimento de uma vacina contra o VIH. Alberto Duarte, da Universidade de São Paulo, lembrou que desenvolver uma vacina não é tarefa simples e pode levar de 9 a 18 anos ou até mais.
Segundo o mesmo, apesar das dificuldades - que incluem a diversidade do vírus e das populações acometidas pela Sida, o custo elevado das pesquisas e o recrutamento de voluntários para os ensaios clínicos -, pode-se acreditar numa futura vacina contra o VIH, dado os conhecimentos já acumulados sobre o vírus e a resposta imunológica dos pacientes, bem como informações sobre pessoas expostas e não infectadas.
As oportunidades de cooperação técnica em acções de controle das doenças de transmissão sexual e VIH/Sida na CPLP e uma possível cooperação triangular em pesquisa envolvendo a Franca, Brasil e países africanos de língua portuguesa foram sugestões apresentadas pelos participantes.
O primeiro congresso da agremiação teve lugar em Angola, onde os participantes assumiram compromissos que consta da denominada carta de Luanda. Neste segundo encontro também os presentes subscreveram outro documento chamado carta do Brasil.
Estiveram presentes no encontro de quatro dias perto de 300 pessoas, das quais especialistas, pesquisadores, estudantes, representantes de ONG, deputados , representantes de vários sectores sociais e altos funcionários da Organização Mundial da Saúde (OMS).
F: Angop
|