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A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) informou nesta quarta-feira que o vírus que pode ter causado a morte de um engenheiro sul-africano é grave. Entretanto, descartou existir risco de epidemia na cidade. O engenheiro morreu na terça-feira (2) com sintomas do arenavírus --apontado como a principal suspeita da causa da morte-- um tipo de vírus inédito no Brasil. Outras 50 pessoas estão sendo monitoradas, segundo o Ministério da Saúde. Elas serão submetidas a exames e podem estar infectadas. O vírus é transmitido entre humanos por secreções, segundo a Fiocruz. Amostras de sangue do engenheiro foram coletadas e estão sendo analisadas. O resultado deve sair em três dias.
A principal suspeita é de que o engenheiro tenha se contaminado com o vírus em um hospital da África do Sul. Segundo o Ministério da Saúde, um homem havia sido internado no mesmo hospital, em Johannesburgo, após contrair o arenavírus em uma área rural da Zâmbia. Outra forma de transmissão do vírus é pelas fezes e urina de rato, segundo a Fiocruz. No hospital da Zâmbia quatro profissionais de saúde foram contaminados e três deles morreram.
O engenheiro, de acordo com o ministério, se internou no hospital no mesmo período para uma cirurgia ortopédica, e depois seguiu para o Brasil. Ele chegou ao país na última terça-feira (25) para fazer consultorias em empresas do Rio.
Na sexta-feira (28), segundo a Fiocruz, o engenheiro começou a manifestar os sintomas do vírus no hotel Transamérica, na Barra (zona oeste), onde estava hospedado, e foi hospitalizado. Ele morreu na manhã de terça (2) na casa de saúde São José, no Humaitá (zona sul), por conseqüência de febre hemorrágica.
A principal suspeita é de que a febre tenha sido causada pelo arenavírus, mas os pesquisadores da Fiocruz ainda consideram quadros como leptospirose e hepatites virais. As hipóteses de Ebola, dengue e malária já foram descartadas pela fundação.
Esta é a primeira vez que se tem conhecimento de um caso do tipo no Brasil, segundo o infectologista da Fiocruz José Cervino Neto, especialista em doenças infecciosas e parasitárias. Entretanto, ele disse que as manifestações do arenavírus, mesmo na África, costumam ser casos isolados e não há risco de epidemia no Rio.
O pesquisador disse ainda que o vírus não é transmissível pelo ar, e o contágio só é feito quando os contaminados começam a manifestar os sintomas da doença --febre alta, sangue na urina, febre hemorrágica e alteração no quadro hepático.
No caso do engenheiro sul-africano, isso aconteceu quando ele já estava no Rio. O infectologista afirmou que pessoas que estiveram na clínica, no hotel ou no mesmo avião do sul-africano não precisam se preocupar.
"Esse vírus ocorre esporadicamente, e, em geral, são casos isolados. Não há motivo para alarde porque não há risco de epidemia", disse o infectologista.
Mesmo assim, cerca de 50 pessoas que podem ter tido contato com algum tipo de secreção do engenheiro, como médicos e enfermeiros da casa de saúde São José, estão sendo monitoradas pelo Ministério da Saúde. Até a tarde desta quarta-feira, segundo o ministério, nenhum deles havia desenvolvido os sintomas.
Corpo
O corpo do sul-africano permanecia em uma sala isolada da casa de saúde São José até a tarde desta quarta-feira. No IML (Instituto Médico-Legal), segundo o instituto, não há condições de isolá-lo no local, como o Ministério da Saúde havia recomendado.
O corpo deve ser levado para a África do Sul ainda nesta quarta-feira. A Folha Online ainda não conseguiu contato com o consulado do país no Brasil. FNT/Folha Online, no Rio - LUISA BELCHIOR
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