|
O Centro de Investigação Pesqueira (CIP) recomenda a população angolana, a deixar de consumir a espécie "Lagocephalus laevigatus" vulgarmente conhecida por peixe Baiacu, por constituir uma ameaça a saúde dos consumidores.
Esta recomendação vem expressa num relatório produzido pelo Instituto Nacional de Investigação Pesqueira, (INIP), depois de pesquisas efectuadas pelo Centro de Investigação Pesqueira, do município do Lobito, província de Benguela, em relação ao consumo desse peixe pela população do Lobito e da Baía Farta que já causou a morte de algumas pessoas e o internamento de outras.
O documento refere que tudo aconteceu em finais do mês de Abril último, altura em que o CIP do município do Lobito foi informado sobre o aparecimento na baía farta e da restinga de um peixe morto conhecido vulgarmente por baiacu, sapo ou balão.
Por este facto, o CIP recomenda o não consumo de qualquer peixe morto que apareça esporadicamente nas praias porque o mesmo pode ser tóxico e venenoso.
O Centro de Investigação Pesqueira aponta como medidas de precaução evitar o consumo da carne da maioria das espécies de baiacu. Os que apreciam este tipo de peixe e não desejam abster-se da sua carne devem redobrar os cuidados na hora de limpar e estripar o peixe.
Ao retirar os seus órgãos internos incluindo a vesícula biliar, continua o relatório, deve-se ter a certeza de que os mesmos estão inteiros e intactos para que não haja contaminação da carne.
A espécie baiacu é um peixe da família tetraodontidae com quatro dentes, nativo do Atlântico ocidental e da costa africana, Mauritânia e Namíbia. Esta espécie chega a atingir 60 cm de comprimento e vive em regiões costeiras de baixa profundidade, preferindo substratos com areia e lama.
Estas espécies são geralmente consideradas venenosas devido a presença de toxinas guanidínicas como tetrodotoxina (TTX) e a saxotoxino (stx) em vários tecidos corpóreos. Os peixes adquirem sua toxicidade atravês da cadeia alimentar ou de bactérias simbiontes encontradas na sua pele e no trato digestivo.
O tipo de envenenamento provocado pela ingestão da carne da espécie baiacu é uma das mais sérias formas de intoxicação. Dentre todos os seres marinhos venenosos os baiacus estão entre os mais perigosos.
O potente veneno (tetrodotoxina) normalmente contido no fígado, no intestino, nas gónadas e na pele, dependendo da época do ano, pode, quando ingerido em altas doses, provocar a morte 15 minutos após a ingestão.
O relatório refere igualmente, que o centro de investigação pesqueira vai continuar com as investigações para averiguar a causa do aparecimento desta espécie nas praias e com o laboratório de tecnologia identificar os componentes químicos da espécie para determinar os níveis de toxidade.
O decreto executivo conjunto número 98/06 do Ministério das Pescas da Saúde e do Comércio, publicado no Diário da República número 83 , I série de 10 Julho de 2006, estabelece a lista de espécies de pescado e produtos da pesca que não podem ser colocados no mercado.
Uma fonte da Angop afirmou existirem na costa angolana duas espécies deste tipo de peixe, nomeadamente o Lagocephalus laevigatus e Ephippion guttifer.
Fonte: Angop
|