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Em 38 000 colheitas de sangue feitas em 2007 nem dez por cento foram doações voluntárias não remuneradas, disse o ministro da Saúde, adiantando que o país tem de trabalhar para atingir níveis mais aceitáveis.
"Isto quer dizer que ainda estamos muito longe daquilo que é desejável", disse Anastácio Ruben Sicato (na foto), acrescentando que "é necessário que em Angola se trabalhe muito mais para que este número abaixo de dez por cento suba rapidamente e atinja valores próximos dos cem por cento".
O governante angolano falava na abertura do Workshop regional para os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) sobre a doação de sangue sem qualquer remuneração, que decorre até quarta-feira, em Luanda.
Participam no encontro organizado pelo Ministério da Saúde de Angola, em colaboração com a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Fundação sul-africana `Safe Bood for Africa`, representantes de Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e das 18 províncias angolanas.
O seminário é realizado para dar seguimento a um Programa de Dadores de Sangue iniciado em Maputo, Moçambique, em Junho de 2006, e traçar estratégias para o recrutamento de dadores voluntários.
No seminário, o representante da OMS em Angola, Nsue-Milang, garantiu que este órgão das Nações Unidas vai continuar a apoiar os esforços do Ministério da Saúde angolano no sentido de melhorar os números apontados.
"A OMS, em colaboração com outros parceiros, vai continuar a apoiar os Governos dos PALOP na organização de campanhas para a recolha voluntária de sangue, na elaboração de uma política nacional de sangue e iniciativas para aumentar o número de dadores voluntários", salientou.
Nsue-Milang afirmou, sem avançar cifras, que em Angola ainda se observa um número elevado de mortes maternas devido a hemorragias e também de crianças por falta de sangue.
"Os países africanos apresentam uma taxa anual de colecta de sangue inferior às necessidades, o que se deve a várias causas, sendo a principal o medo de doar sangue", disse o representante da OMS.
Relativamente aos países participantes, Cabo Verde é o que se encontra em melhor posição, com 53 por cento de dadores voluntários não remunerados.
Em declarações à Agência Lusa, a responsável pela delegação cabo-verdiana, Conceição Pinto, afirmou que apesar da situação não ser ainda a ideal, Cabo Verde tem actualmente 53 por cento de dadores voluntários não remunerados e pretende atingir, este ano, os 60 por cento.
"Em 2007, tivemos 53 por cento de dádivas voluntárias e estabelecemos como meta para 2008 alcançarmos os 60 por cento e estamos a trabalhar para isso. Evidentemente que o nosso objectivo final é chegar mesmo aos 100 por cento até 2012 de acordo com as recomendações da OMS.
Na Guiné-Bissau, segundo o seu representante, a situação também melhorou já que em 2001 apenas quatro por cento das doações eram de dadores voluntários não remunerados e hoje já atingiram os 30 por cento.
"Na Guiné-Bissau, como em todos os PALOP, temos dificuldades na doação de sangue, mas estamos a melhorar", disse Sadna Nabitan, revelando que a criação de associações de doadores voluntários de sangue é a estratégia usada para esse aumento.
Quanto à situação de São Tomé e Príncipe, é a mesma de Angola, continuando com uma percentagem abaixo dos 10 por cento.
"A nossa realidade não foge à de Angola. Continuamos ainda com uma percentagem abaixo dos 10 por cento de doadores benévolos e pretendemos aqui neste encontro trocar experiências, no sentido de ultrapassarmos este números", disse Pascoal de Apresentação à Lusa.
Fonte:Lusa
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