|
Em Luanda, o aborto inseguro periga a vida de adolescentes, 100 USD por cada mês |
|
|
|
Escrito por : Cfr. no fim da pág
|
|
24-Jun-2008 |
Nem a criminalização do aborto voluntário impediu que a prática se espalhasse por todos os cantos da cidade e que se transformasse naquilo que é hoje, para muitos profissionais de saúde: um bom negócio.
É que toda gente bem instruída sabe que, em Angola o aborto induzido é crime. Mas alguém se lembra de ter visto uma mulher ser presa, julgada ou condenada por interromper, voluntariamente, uma gravidez no nosso país? pois é , para uma esmagadora maioria de pessoas, a resposta é não.
Os juristas dizem que a lei é clara. Socorrem-se, a esse respeito, do velho código penal em vigor em Angola que, no seu artigo 358 criminaliza e, ainda, pune o aborto induzido com penas que vão de dois a oito anos de prisão, tanto para a gestante, como para o profissional de saúde que induza a interrupção da gravidez. Mas por que razão ninguém se lembra de julgamento, único sequer, de um profissional de saúde ou uma mulher por ocorrer ao aborto voluntário?
Isso, claro, não significa que as mulheres angolanas não recorram à interrupção induzida da gravidez. Fontes policias, ouvidas pela Semanário «A Capital», reconhecem que uma falta de fiscalização acaba por justificar o vazio, em termos de estatísticas criminais, de cidadãos presos e encaminhados ao tribunal, por provocarem um aborto.
Na verdade, as próprias autoridades reconhecem, o recurso à interrupção voluntária da gravidez, em Luanda. As gestantes, segundo a fonte, sub mentem-se ao aborto com mais frequência do que se julga e, nos locais menos imagináveis possíveis.
Onde se induzem mais abortos
No município da Samba, segundo uma reportagem do Jornal «A Capital» são enumeras as casas onde as gestantes submetem-se a uma curetagem uterina.
Uma delas pertence ao enfermeiro Eduardo. As mesmas (as curetagem) são feitas no quarto de Eduardo, na mesma cama onde ele se deita. Cobra, pelo serviço, 100 dólares por cada mês de gestação, mas a necessidade das meninas é tanta, que tem de baixar o custo para 70 dólares.
Uma outra pessoa é a dona Inês, vizinha de Eduardo, que se apresentou como parteira numa das maternidades de Luanda. A sua tabela é não difere muito de Eduardo. São 100 dólares por cada mês de gestação e, como em casa de Eduardo, o leito de Inês é substitui uma marquesa ou uma cama de hospital para as suas pacientes.
Fonte:A Capital
|