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Cerca de 70 por cento dos ginecologistas em Itália recusam praticar uma interrupção voluntária da gravidez e esse número não cessa de aumentar, revela um relatório do Ministério da Saúde italiano divulgado terça-feira.
O aborto foi legalizado em 1978, em Itália.
Por pressão do Vaticano, que se opôs ferozmente a essa legalização, foi introduzida no texto da lei uma cláusula de "objecção de consciência" que permite aos médicos recusar fazer um aborto.
Entre 2003 e 2007, a proporção dos ginecologistas que o recusaram, no exercício das suas funções nos sectores hospitalares onde ela é em teoria possível, passou de 58,7 por cento para 69,2 por cento, precisa o relatório.
Quanto aos anestesistas que intervêm nas interrupções voluntárias da gravidez, a taxa de recusa passou de 45,7 por cento para 50,4 por cento.
"No Sul, este aumento é ainda mais marcante e nalgumas regiões, a taxa quase duplicou", segundo o relatório.
Em Campania (Sul), a grande região de Nápoles, a proporção de ginecologistas que recusam uma interrupção voluntária da gravidez passou de 44,1 por cento para 83 por cento e na Sicília de 44,1 por cento para 84,2 durante o período 2003-07.
O número de abortos baixou: entre 2006 e 2007, as interrupções voluntárias da gravidez em Itália passaram de 131.018 para 127.038 casos, ou seja, um recuo de 3 por cento. O número de abortos clandestinos também diminuiu para cerca de 15.000 por ano, estima o Ministério.
"A lei sobre o aborto está em perigo" e o aborto "parece-se cada vez mais a uma verdadeiro percurso de obstáculos" declarou à agência Ansa Silvio Viale, ginecologista de Milão e figura de proa do movimento para a defesa da lei do aborto.
Este direito foi questionado em Itália durante a campanha eleitoral para as legislativas de 13 e 14 de Abril, entre polémicas com a Igreja católica e a apresentação de uma lista anti-aborto protagonizada por um próximo de Silvio Berlusconi, o jornalista Giulio Ferrara, que obteve apenas 0,37 por cento dos votos.
Uma investida da polícia num hospital de Nápoles, depois de um aborto terapêutico para verificar se o limite legal das 24 semanas tinha sido respeitado, causou uma enorme polémica.
Angolapress
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