Este dado consta nos resultados preliminares do Inquérito Nacional em Meio Escolar, do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT), realizado em 2006, entre 75 mil alunos do terceiro ciclo do ensino básico e do secundário.
A investigação, da autoria de Fernanda Feijão, envolveu a distribuição de inquéritos pelas escolas, no final de 2006, tendo causado polémica, no início do ano passado, porque abrangeu, pela primeira vez, perguntas sobre violência doméstica e aspectos da vida sexual dos pais dos alunos, o que indignou alguns encarregados de educação.
Os resultados preliminares respeitantes ao consumo de drogas e outras substâncias psicoactivas foram divulgados hoje em Évora e revelam um decréscimo do número de alunos que consumiram, pelo menos uma vez, quase todas as substâncias em análise, como o álcool, tabaco, droga, tranquilizantes, esteróides.
Só a experimentação de inalantes/solventes é que aumentou entre os alunos do terceiro ciclo e manteve-se igual entre os estudantes do secundário, embora o seu peso relativo seja muito baixo.
De acordo com o estudo, o álcool permanece, tal como em 2001, a substância psicoactiva que os alunos mais admitem consumir (59 por cento no terceiro ciclo e 88 por cento no secundário, em 2007).
A seguir surgem o tabaco, a droga, os tranquilizantes e, à frente dos esteróides, que ocupam o último lugar da lista, os inalantes/solventes, cuja experimentação passou de cinco por cento em 2001, para sete por cento em 2007, no terceiro ciclo, mantendo-se nesse período nos quatro por cento no secundário.
Em declarações à agência Lusa, o presidente do IDT, João Goulão, recusou "explicações simplistas" para o fenómeno, mas lembrou que, apesar das percentagens baixas, o aumento poderá estar relacionado com o facto de serem "produtos de fácil acesso, legais na maior parte dos casos e com preços reduzidos".
"São substâncias com cheiros muito activos e que, se inaladas voluntariamente, produzem um certo atordoamento, como a gasolina, as colas de contacto e até certas bombas anestésicas, por exemplo as utilizadas para as picadas do peixe-aranha", disse, acrescentando que algumas delas "são vendidas na farmácia, sem necessidade de receita médica".
Segundo o presidente do IDT, o aumento da experimentação com estes produtos deve ser "relativizada", mas, por outro lado, o estudo faz uma "chamada de atenção para uma realidade que, muitas vezes, está escondida", de forma a ser "tida em conta nas intervenções preventivas"
"É útil para os próprios técnicos, pois fala-se mais do álcool e de substâncias ilícitas e nem ocorre falar dessa realidade. Esta importância relativa é boa para termos mais atenção", frisou.
O estudo adianta ainda que, em termos das drogas, houve uma "alteração nos padrões de consumo", traduzida, nomeadamente, no "decréscimo do policonsumo (cannabis e outras drogas) nos alunos dos dois níveis de escolaridade".
Além disso, no terceiro ciclo já existem "mais alunos que experimentaram só `outras drogas` (cinco por cento), ou seja, qualquer substância ilícita, excepto cannabis, do que os alunos que experimentaram só cannabis (quatro por cento)".
Quanto aos consumos mais regulares (últimos 30 dias), houve a descida de consumidores de tabaco e de cannabis e o aumento de consumidores de cerveja e de vinho.
Entre os alunos do secundário, acrescentam os dados, subiu também o número de consumidores de bebidas destiladas.
"Portugal acompanha, assim, a tendência de decréscimo das prevalências de consumo de drogas entre os jovens, que se vem a verificar nos últimos anos nos Estados Unidos da América (EUA), Austrália e vários países europeus", pode ler-se na súmula de resultados preliminares.
Além do INME - 2006, a cerimónia de hoje em Évora, em que foram inauguradas as novas instalações do Centro de Respostas Integradas (CRI) do IDT, com a presença do secretário de Estado da Saúde, Manuel Pizarro, serviu ainda para apresentar os resultados preliminares de outro inquérito nacional.
O II Inquérito Nacional ao Consumo de Substâncias Psicoactivas na População Portuguesa (INPP), relativo a 2007, abrangeu uma amostra de 15 mil pessoas, entre os 15 e os 64 anos, e resultou de um protocolo estabelecido entre o IDT e a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Novas de Lisboa.
No capítulo relativo às substâncias psicoactivas lícitas, de 2001 para 2007, a investigação constata uma situação "perfeitamente estabilizada" quanto ao consumo de tabaco (29 por cento da população em 2001 era fumadora activa, sendo esta proporção de 30 por cento em 2007) e de álcool (59,1 por cento em 2001, para 59,6 por cento em 2007).
Relativamente ao consumo de medicamentos com efeitos psicoactivos tomados sem prescrição médica, o estudo apurou uma "diminuição de um por cento" comparativamente ao anterior INPP, sendo que o valor actual é de 10 por cento.
RRL.
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