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O director provincial interino da Saúde do Bié, José Augusto, informou que a população da província tem uma cobertura sanitária razoável, que vai melhorar ainda mais nos próximos tempos. Em seis anos, foram abertas 112 unidades sanitárias, das quais, oito hospitais municipais, um sanatório, seis hospitais missionários, seis centros materno-infantis, dois centros de saúde e 88 postos médicos. Novas estruturas estão a ser construídas, para dar resposta às necessidades de uma população de quase quatro milhões de habitantes. De acordo com o director provincial interino, o regulamento sanitário recomenda que deve existir uma unidade de saúde em cada aldeia “e o Governo está a fazer todos os esforços para cumprir essa determinação”. Para o biénio 2007/2008, no Programa de Melhorias e Aumento dos Serviços Sociais Básicos às Populações, o governo provincial começou a ensaiar o “Projecto Saúde” nas embalas, com a construção de 36 novos postos sanitários. Actualmente, cerca de 70 por cento das infra-estruturas estão concluídas enquanto as restantes apenas no final deste ano ficam ao dispor da população, apesar de haver poucos técnicos para acudir às necessidades. Actualmente, a província do Bié tem um médico por cada município, o que, “sendo pouco, representa uma melhoria muito grande para as populações, que até há pouco tempo não tinham nada”, disse José Augusto. Os serviços provinciais de Saúde têm 4.203 funcionários, incluindo 63 médicos. O quadro médico foi reforçado recentemente com médicos cubanos especialistas em diversas áreas. José Augusto sublinhou que 1.230 técnicos médios, 1.649 técnicos básicos e 74 técnicos de diagnóstico e terapeutica, mais os funcionários administrativos, fazem igualmente parte do quadro orgânico do sector da Saúde no Bié. Com a realização de concursos públicos de admissão, o número de funcionários vai aumentar em breve.
Hospital Central em dificuldades A falta de esgotos, a incapacidade da casa mortuária, a insuficiência de blocos operatórios, a falta de canalização de água e de energia eléctrica são as dificuldades enfrentadas actualmente pelo Hospital Central, na cidade do Kuito. Com capacidade de 360 camas e adaptado para 560, nos momentos críticos a unidade hospitalar tem internado de 800 a mil pacientes, uma situação que deixa a desejar. Etelvina Monteiro, directora daquela unidade hospitalar, disse que conta com 51 médicos de diversas especialidades, dos quais 45 são estrangeiros. “Temos seis técnicos de nível superior, 296 técnicos médios, 210 técnicos básicos e 182 funcionários administrativos, todos de nacionalidade angolana. Ainda não é o ideal, mas já conseguimos dar resposta às necessidades das populações”, disse a doutora Etelvina Monteiro. Os serviços de Medicina, Cirurgia, Ortopedia, Maternidade, Pediatria, Urgência, Maternidade, Centro de Malária, Neonatologia, Estomatologia, Oftamologia, Radiologia, Fisioterapia e Hemoterapia encontram-se a funcionar com algumas dificuldades. Serviços como a Farmácia, o refeitório e a cozinha também têm algumas deficiências em pessoal e equipamentos. Outros serviços que estão disponíveis no Hospital Central são Otorrinolaringologia, Bloco Operatório, Cuidados Intensivos, Centro Nutricional, Consultas Externas, Centro de Cólera e Laboratórios (Serviço de Patologia Clínica). A Casa Mortuária só tem condições para sete cadáveres. Há um mês, a morgue tinha apenas capacidade para albergar três corpos. “O hospital teve obras na Maternidade e Pediatria, em 2004. Estão a decorrer obras de reabilitação no Banco de Urgência Geral e nos serviços de Medicina, Ortopedia e no Bloco Operatório. Mesmo assim é pouco porque o edifício é antigo”, explicou a Dra. Etelvina Monteiro. O hospital também beneficiou de obras nos serviços de apoio, como refeitório, cozinha e lavandaria. Dias melhores virão “A construção e o apetrechamento de um novo hospital provincial de referência, a conclusão da reabilitação do actual Hospital Central, a construção de hospitais municipais nas localidades do Kuito, Katabola, Chitembo, Kunhinga e N´harea vão arrancar no próximo ano, no âmbito do Programa do Governo Central”, afirmou o director provincial interino da Saúde, José Augusto. Com a construção das unidades sanitárias a saúde em termos de assistência vai melhorar consideravelmente. Os outros seis municípios da província do Bié beneficiam igualmente de programas de revitalização dos Serviços de Saúde, apesar de não estarem incluídos nos planos da Administração Central e dos apoios do UNICEF aos centros materno-infantis. José Augusto disse que nesses municípios “estão a ser utilizadas equipas móveis avançadas e postos fixos”, que dão assistência às populações. Medicamentos em falta O problema da falta de medicamentos já foi superado, mas a dificuldade actual consiste nas acessibilidades. Ainda há estradas praticamente intransitáveis que dificultam a chegada dos medicamentos a muitas aldeias. Nos locais de difícil acesso, o abastecimento de medicamentos é feito através do Programa Nacional de Medicamentos Essenciais, enquanto as outras unidades de saúde têm o apoio da Direcção Nacional de Medicamentos e Equipamentos. O Governo Provincial tem um programa de aquisição de medicamentos para as diversas unidades sanitárias, apesar de existirem problemas na racionalização de medicamentos. “Os problemas que se registavam com os medicamentos por especialidades estão a ser também ultrapassados, porque temos trabalhado com uma equipa de médicos e elaboramos mapas com os medicamentos necessários para cada especialidade médica”, disse José Augusto. A auto-medicação é outro problema que se coloca às autoridades de Saúde. Segundo José Augusto, tem havido inspecções sanitárias, com o apoio do Instituto Nacional da Defesa do Consumidor (INADEC) e da Polícia Económica no sentido de se fazer o controlo da venda de medicamentos, “porque é visível a comercialização de medicamentos sem qualidade nos mercados informais, por indivíduos sem autorização e sem segurança mas, infelizmente, a população procura por esses medicamentos”. Assistência às grávidas Desde Novembro de 2006, quase 500 mulheres grávidas beneficiaram de assistência médica, incluindo a consulta pré-natal, nos municípios do Kuito, Kamacupa e Andulo, no sentido de se reduzir o índice de mortalidade materna e neo-natal. Com a utilização das equipas móveis avançadas e postos fixos, estão abrangidas praticamente todas as localidades da província. As equipas móveis deslocam-se às aldeias que distam mais de cinco quilómetros das sedes municipais, realizam a vacinação anti-tetânica, a consulta pré-natal, o aconselhamento, administram o ferro e o ácido fólico para a prevenção da anemia e desparasita as mulheres grávidas. A assistência é prestada pelas equipas móveis, no domicílio das grávidas. Tendo em conta a extensão territorial da província, vai ser necessário muito tempo para se conseguir cobrir todas as aldeias, mas a experiência levada a cabo tem surtido efeitos positivos, por isso, além do Kuito, Andulo e Kamacupa foi possível estender as equipas móveis a todos os municípios. Para minimizar a situação, o governo provincial adquiriu motorizadas para as equipas móveis para mais facilmente se deslocarem às comunidades longínquas. A assistência às mulheres grávidas teve melhorias notórias e são visíveis os efeitos da cobertura. A distribuição de mosquiteiros para prevenção da malária nas mulheres grávidas está igualmente inserida no programa do Governo Provincial. As grávidas têm também apoio alimentar, dentro do acordo com o Programa Alimentar Mundial (PAM). Vacinação de crianças O director provincial interino da Saúde, José Augusto, esclareceu que a distribuição de alimentos abrange mulheres grávidas a partir dos 18 anos, “mas também inclui todas as que se apresentam nas unidades de saúde com problemas de má nutrição. Uma outra componente do processo de revitalização inclui a vacinação mais um projecto que abrange crianças com menos de cinco anos, às quais também ministramos Vitamina A para prevenção da cegueira e para o reforço do sistema imunológico”. José Augusto disse também que “fornecemos mosquiteiros às crianças, para prevenção da malária além da desparasitação. As crianças dos municípios mais longínquos, têm uma assistência integrada às doenças da infância e comunitárias o que possibilita o seu tratamento nas comunidades em que se encontram, evitando o internamento”. A terceira fase do “processo de revitalização” começa em Janeiro de 2009 e vai contemplar mais três municípios da província do Bié. FNT/JA - Delfina Victorino
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