Adolescente –"Eu tenho vontade de me aproximar das garotas, mas não sei conversar com elas".
Pai – "Ora! É muito fácil. Fale sobre futebol, música e viagem. Faça como estou dizendo".
Certos assuntos médicos, que vivenciamos no dia-a-dia, muitas vezes servem de exemplo para outros, e aqueles que lêem os artigos acabam se utilizando deles para agir no seu cotidiano.
Com freqüência somos procurados por pais preocupados com a fase da adolescência, principalmente quando necessitam falar de sexo com os filhos ou quando têm filhas, que a dificuldade se torna maior.
O assunto veio à tona, quando no meu ambiente de trabalho, recebi a visita de um amigo, que veio procurar minha ajuda, porque estava inseguro em conversar com seus filhos a respeito de sexo. Esta procura se deveu principalmente pelo preparo que procurei adquirir com a pós-graduação em Sexualidade Humana, pela Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana em São Paulo, já prevendo a dificuldade que eu teria para orientar as quatro filhas que nós tivemos. Os tabus e preconceitos que existem com relação à sexualidade no momento da orientação dos filhos em geral, eu também as tenho, mas com um pouco mais de habilidade no trato, já que me especializei para tanto.
Acho compreensivo a preocupação com a sexualidade dos filhos.
Ninguém pode negar que as nossos jovens têm buscado aprender as coisas do sexo. No entanto, frustram por não encontrar respostas precisas para seus anseios e angústias quando deparam com tabus e preconceitos. Até pelas nossas negativas em abordar o assunto, porque, mesmo sem generalizar, é mais cômodo para nós pais, transferirmos a responsabilidade de uma forma terceirizada para a escola, religião, etc.
Os jovens se vêem obrigados a procurar os ensinamentos num terceiro caminho com os amigos, revistas eróticas e pornográficas, aprendem de forma deformada.
Mas, como orientar?
Numa pesquisa feita, foi unânime o questionamento feito pelos adolescentes: Porque era tão difícil para os pais conversar com eles sobre sexo.
Os pais desta geração de filhos, vivem num dilema: Como fazer pra orientar? Pais que viviam ao som dos Beathes, Roberto Carlos, ao som de "Gatinha Manhosa", do sabor da Cuba Libre (bebida feita à base de rum claro e refrigerante de cola, levando também o suco de meio limão) e tinham poucas investidas pro lado das garotas.
É muito importante que o jovem tenha a informação sexual, mas tente, desde a mais tenra idade, a orientação para a formação de sua própria sexualidade de maneira bem natural e espontânea.
- A conversa foi prolongando e foi se abrindo o coração, e o meu amigo relatou que não conseguia viver na sua plenitude a sua sexualidade.
- Infelizmente, os próprios pais criam as barreiras e cortam os canais de informações, isto é, de comunicação.
"A verdade que cada um de nós vive a nossa sexualidade muito particular. Um de forma melhor, outro de forma pior; um de mais, outro de menos; um de forma completa e plena, o outro de maneira incompleta e fragmentada. Mas, todos nós, pais vivemos a sexualidade" (Nilton Geraldo P. Machado).
Mas, é certo que temos alguma experiência e esta que pode e deve ser passada, com carinho e amor aos nossos filhos. Se conseguirmos passar alguma coisa, deve ser com simplicidade, ambiente de respeito, carinho e amor, estamos educando sexualmente os nossos filhos. E, é o que eles esperam de nós, seus pais.
E se acontecer ao contrário? Se você se julgar incompleto ou acanhado. O primeiro ensinamento é tentar aprender ou ler mais sobre a sexualidade humana, não só orientar mas também aprender junto com eles! Mas, se não for suficiente tudo isso, temos o dever de encaminhá-los àquelas pessoas ou comunidades que poderão atender os seus anseios, seja na escola ou em grupos de jovens, etc.
Com que cara ficamos nós, pais e educadores e governantes? Como construtores de futuro na atual sociedade são gerações e gerações de jovens que passam nas nossas mãos. E, ficamos estáticos e não conseguimos mudar ou transportar uma felicidade para todos os que nos rodeiam.
"Condenamos tudo aquilo que achamos errado como a existência dos estupros, a violência sexual, o filho sem pai, o pivete, o menor abandonado, as separações conjugais, divórcios ou desquites! Mas, o que temos feito (sociedade) de prático e positivo para educar? Os meios de comunicação de massa têm prestado um serviço ou um desserviço à nossa população?" (Nilton Geraldo).
Paises que se preocuparam em desenvolver o trabalho muito profissional de orientação sexual para adolescência, em escolas, já vêm observando quebra nos índices de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) entre eles, conforme resultados evidenciados em pesquisa conduzida com rigor científico.
Trabalhos dessa natureza deveriam ser investigados em nosso meio, uma vez que a população, adolescentes residentes na periferia, principalmente discriminada pela injusta distribuição de renda, é desprovida de recursos e de informação, sendo a que mais compareceu nas estatísticas de gravidez adolescência e de Doenças Sexualmente Transmissíveis.
Finalmente, depois de um longo papo e troca de experiências, o amigo despediu-se e saiu. Mas, consegui alcançá-lo e convidei-o para uma nova conversa, agora, sobre a influência da Internet nos nossos filhos.
F: Progresso.com.br - Dr. Luiz Machado
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