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Brasil: Sempre mais adolescentes fazem relações sexuais e os pais são os últimos a saber |
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Escrito por : Cfr. no fim da pág
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13-Jun-2008 |
Se você já acha que a garotada anda precoce demais não vai se surpreender tanto com os dados de uma pesquisa recente que analisou o que os jovens pensam sobre o sexo. O resultado é que 23% deles já tiveram relações sexuais completas, sendo que 15% transaram com mais de cinco parceiros. A pesquisa foi feita pelo médico psiquiatra Jairo Bauer – colunista do Folhateen, da Folha de São Paulo, e apresentador de programas de rádio e TV – e ouviu mais de 7.520 alunos, entre 13 e 17 anos, de 20 escolas da Grande São Paulo.
Pelo menos 60% dos entrevistados disseram que não falam de sexo com os pais, o que, para a ginecologista e sexóloga Denise Galveas Terra, não é novidade.
"A maioria dos pais só fala de sexo quando é para advertir quanto aos perigos da prática sexual. Explicam de forma muito pontual e só sobre gravidez e doenças. Eles não conversam sobre emoções, experiências. Assim, não criam intimidade com os filhos", analisa a médica.
Sem diálogo aberto e franco, não é de se estranhar que os adolescentes estejam mantendo relações sexuais sem proteção. Na pesquisa, 22% admitem que não usaram preservativo na primeira transa.
"Apesar de saberem que a iniciação sexual acontece cada vez mais cedo, os pais fazem escândalo se flagram a filha com pílula anticoncepcional ou o filho com camisinhas, quando deveriam dar apoio e ajudá-lo a se proteger", destaca Denise Terra.
Um bom bate-papo, diz ela, pode fazer com que o adolescente entenda que não é saudável trocar tanto de parceiros. "O ideal é orientá-lo a ter sua primeira relação sexual com alguém de quem realmente goste, com quem tenha vínculo. Sexo é bom, mas acompanhado de muita responsabilidade".
Veja mais dados da pesquisa
Sexo
Cerca de 60% dos jovens de 13 e 17 anos não conversam com seus pais sobre sexo
Mas 23% já tiveram relações sexuais completas
E 15% já se relacionaram sexualmente com mais de cinco parceiros
Outros 63,7% acham que as mulheres deveriam se preservar mais do que os homens na hora do sexo
Prevenção de doenças
A grande maioria (cerca de 70%) tem informações corretas sobre procedimentos para sexo seguro e uso de camisinha
22% disseram que não usaram camisinha na primeira relação sexual
A camisinha já foi usada como método anticoncepcional por 74% dos entrevistados; e a pílula, por 20%
Mas 28% disseram que abandonariam o uso da camisinha se vivessem uma relação estável
Entretanto, 61% das meninas entrevistadas têm medo de engravidar
Cerca de 9% delas já enfrentaram uma gravidez
Outras 44% têm medo de contrair alguma doença
Drogas / Comportamento
26,4 % usam bebidas alcoólicas às vezes e 5,5% bebem freqüentemente
10% já experimentaram maconha
23,5% já ficaram com alguém que conheceram pela internet
Para 25,7% o namoro mais longo que tiveram durou de um a três meses
26% têm uma convivência péssima com os pais
A pesquisa foi feita pela internet com 7.520 alunos, entre 13 e 17 anos, de 20 escolas da Grande São Paulo. Outros dados estão no site www.doutorjairo.com.br
Faça sua parte
Desde o início. A educação sexual começa na infância, quando a criança faz as primeiras perguntas sobre a sexualidade ("De onde eu vim?", "Como os bebês nascem?"...)
Continua na adolescência. Não espere que seu filho chegue à adolescência para abordar o assunto pela primeira vez. Se ele foi orientado ao longo dos anos, vai ser mais fácil lidar com a questão agora
Sem escândalo. Não faça escândalo se flagrar uma receita de pílula anticoncepcional na bolsa da menina ou preservativos na carteira do menino. Nada de censura. Isso vai quebrar qualquer confiança que ele poderá ter em você. Ele pode passar a transar escondido e, pior, sem proteção
Oriente. Também não finja que nada está acontecendo. Se ele(a) está iniciando a vida sexual, o melhor a fazer é apoiá-lo(a) e dar todo o suporte para que possa se proteger de doenças e da gravidez indesejada
Eduque. Mostre a seu(a) filho(a) que é mais importante ter a primeira relação sexual com alguém de quem goste e com quem tenha vínculo
Sem sermão. Não fique apenas na advertência, falando dos perigos da prática sexual. Fale sobre o prazer, as dificuldades e as decepções e tudo o mais que estiver envolvido com o sexo
Dormir em casa. Deixe claro o que pensa sobre trazer a(o) namorada(o) para dormir em casa. Não aceite só para bancar o moderno. Você tem o direito de não se sentir à vontade com isso
Fonte: Denise Galveas Terra, ginecologista e sexóloga Agência Brasil - Paula Stange
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