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Tal como no passado, as praias do Lobito, Benguela e Baía-Farta, designadamente da Restinga, Morena, Santo António, Caotina e Baía-Azul, constituem atracções para turistas nacionais e estrangeiros. Proprietários de restaurantes na zona paradisíaca da Restinga afirmam que o Estado deve, por isso, definir estratégias para melhor rentabilizar os espaços cedidos.
A livre circulação de pessoas e bens, a melhoria das vias rodoviárias, do sistema de iluminação pública, construção de novas unidades hoteleiras e melhorias nas comunicações têm contribuído significativamente para que nos últimos tempos vários cidadãos, nacionais e estrangeiros, procurem refúgio no interior do país, sobretudo aos fins de semana, para se livrarem da vida agitada da capital do país. Neste contexto, a província de Benguela tem sido uma das mais privilegiadas na recepção dessas pessoas, tendo em conta os seus encantos naturais e as infra-estruturas hoteleiras para a acomodação de turistas de que dispõe. A Ponta da Restinga, emblemática zona balnear e a preferida dos turistas, possui duas praias, nomeadamente Baía e Mar Alto, rodeadas de excelentes restaurantes, entre os quais se destacam o Zulu, Sol e Mar e Cabana II, onde foram feitos investimentos que vão desde a oferta e prestação de um excelente serviço de restauração à Internet, sendo esta última condição indispensável para que os turistas se comuniquem com qualquer parte do planeta. A zona ganhou um visual que lhe confere alguma nobreza, com a colocação de novo tapete asfáltico, iluminação pública, ginásio a céu aberto para a prática de desporto, contentores para depósito de lixo, assim como uma equipa de traba-lhadores adstritos aos serviços comunitários que diariamente zelam pela limpeza das praias. A Administração Municipal do Lobito (AML) prevê, nos próximos tempos, interditar a área à circulação de viaturas no período compreendido entre às 5 e 7 horas e 30 minutos da manhã e das 18 às 20 da noite, para que os cidadãos pratiquem os seus exercícios físicos matinais e nocturnos sem poluição. Júlio Martins, proprietário do restaurante Sol e Mar, é de opinião que o Estado deve ser mais aguerrido na implementação de políticas que conduzam os proprietários de estabelecimentos comerciais (bares e restaurantes) a rentabilizarem melhor os seus espaços. “Deve haver mais abertura, incentivo e aproximação entre os governantes e os proprietários de bares e restaurantes, para que a troca de impressões sobre as nossas ideias e propostas ao merecerem respaldo da governação, nos motivem cada vez mais”, sublinhou. Na sua óptica, os proprietários desses estabelecimentos às vezes têm projectos em mente e receiam pedir empréstimos bancários para os implementar, temendo que na hora da sua execução os mesmos não sejam aprovados pelas autoridades camarárias. Interrogado sobre a participação ou não em encontros com responsáveis do sector da Hotelaria e Turismo, revelou que estes se têm realizado regularmente, nos quais são apresentadas ideias e sugestões, mas que as conclusões dificilmente chegam às mãos dos proprietários. Referiu, por outro lado, que os proprietários deviam ser pressionados pelas instituições de direito no sentido de servirem melhor o público. “Você tem um espaço X e não está a fazer nada. Ou fazes ou largas. Isso seria um incentivo para nós”, disse, numa clara alusão àqueles a quem as autoridades concederam espaços e não as põem a funcionar como deviam. “Nós temos muitas praias e temos que as capitalizar, porque sabemos que muitos países vivem apenas das receitas dos recursos turísticos. É necessário que nos deixem trabalhar, porque na qualidade de angolanos que somos, não podemos ser ultrapassados pelos estrangeiros, perdendo os nossos espaços para estes últimos”, alertou. Júlio Martins reconhece que, durante estes cinco anos de paz, se registaram muitos avanços. Embora nunca mais tenha viajado, tem co-nhecimento que do desvio do Colango em direcção à Canjala e Huambo se estão a erguer várias obras e houve muitas melhorias na circulação rodoviária. “Quanto à actividade no nosso ramo, hoje as pessoas já não são tão sépticas em não querer gastar, como acontecia no passado, porque já têm mais alguns tostões e já se viaja com segurança no próprio país”, asseverou. Hoje, segundo ele, já ninguém pensa ir viver para o exterior, antes pelo contrário. São cada vez mais as pessoas a quererem assentar arraiais no país. “Quando houver ligações inter-provinciais entre o Huambo e Huíla, com vias totalmente reabilitadas, o Lobito terá um maior crescimento e uma palavra a dizer no domínio do turismo”, vaticinou. F: Jornal de Angola - JESUS SILVA |LOBITO
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BEN HAJA ABGOLA