Cidade da Praia - A migração circular (facilidades de mobilidade) entre Cabo Verde e a União Europeia vai começar em Janeiro de 2009, durante três anos, e tem um custo inicial de 1,3 milhões de euros.
A informação foi dada à Agência Lusa pelo presidente do Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento (IPAD), Manuel Correia, que adiantou que Portugal está a coordenar o projecto, ao qual se juntou também a Espanha, França e Luxemburgo.
O conselho europeu de ministros da Justiça e do Interior de 06 de Dezembro passado escolheu Cabo Verde e a Moldávia como países para uma experiência piloto de flexibilidade de circulação de pessoas de países terceiros no espaço da União Europeia.
Está agora, segundo Manuel Correia, a ser criado em Portugal um programa para agilizar essa emigração, sendo que não se trata, advertiu, de supressão de vistos entre Cabo Verde e os países da União Europeia, nem de uma legalização extraordinária de ilegais.
"A ideia é potenciar para Cabo Verde a mão-de-obra qualificada que existe noutros países", disse o responsável português, adiantando que com este programa haverá também melhor controlo dos fluxos migratórios.
O programa vai permitir, exemplificou, que quadros cabo-verdianos, como um médico especialista, que trabalham na Europa, possam deslocar-se a Cabo Verde durante algum tempo a trabalhar, sem receio de não poder voltar.
Por migração circular, disse Manuel Correia, entende-se que, se por exemplo as obras para a exposição de Saragoça, em Espanha, precisam de 10 mil trabalhadores e Cabo Verde tem esses trabalhadores disponíveis, eles irão fazer a obra, regressando depois a casa.
Da mesma maneira, emigrantes cabo-verdianos que vivem agora em países europeus e que querem regressar a Cabo Verde durante dois ou três anos podem fazê-lo, podendo voltar ao país europeu quando o desejarem.
O Presidente da República de Cabo Verde, Pedro Pires, também já se tinha referido esta semana à questão da mobilidade, tema que vai discutir com o seu homólogo francês, Nicolas Sarkozi, na próxima semana, de quem espera apoio para "criar condições para que haja uma emigração cabo-verdiana legal".
FP.
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