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A inauguração do vôo para Luanda (Angola, África) no próximo dia 24 de março pela OceanAir marca o início da única rota ligando o Brasil ao continente africano diretamente por uma empresa brasileira.
A intenção da companhia, a terceira maior do país, é alavancar sua área internacional com esse vôo, atendendo melhor o mercado africano, que passa, segundo ela, por um momento de grande crescimento de demanda por transporte aéreo.
De acordo com o diretor-executivo da empresa, Renato Pascowitch, embora a demanda na África seja ainda pequena, ela está crescendo, especialmente em alguns países como Angola, que têm recebido muito investimento estrangeiro no processo de reconstrução nacional após guerras civis. E, apesar de a demanda ser pequena, a oferta é menor ainda, diz o executivo. Isso explica a intenção de explorar o continente.
Essa opção também visa, no futuro, oferecer pelo Brasil uma via de entrada na África privilegiada para passageiros vindos dos EUA. Hoje, eles têm de se deslocar até a Europa para depois se encaminhar para seus destinos africanos. Vindo ao Brasil, economizariam parte da viagem. Por isso queremos, mais para a frente, tentar parcerias com empresas norte-americanas para alimentar esse vôo e outros que possamos inaugurar para a África , afirma o diretor de Tráfego e Planejamento da empresa, Waldomiro Silva Jr.
Segundo Silva, além de Angola, a empresa tem interesse em países como a Nigéria e a África do Sul. No primeiro caso, a idéia ainda é pouco explorada, pois apesar da demanda gerada pelas companhias petrolíferas instaladas no país, a questão de segurança ainda é importante. Já para a África do Sul, o problema é de ordem técnica. Seria necessário um avião maior ou com, pelo menos, três motores, diz o executivo. Isso ocorre porque os aviões hoje em uso pela empresa têm licença para operar em rotas nas quais todos os seus pontos estejam a no máximo 120 minutos da pista de pouso mais próxima - por questões de segurança. Em rotas para o norte da África, uma série de pequenas ilhas com aeroportos viabilizam o vôo. Para o sul do continente, porém, não há nenhuma dentro de um raio de duas horas de vôo das rotas partindo do Brasil.
Além dos destinos africanos, a OceanAir também está interessada em outras rotas internacionais, na Europa e América do Norte - especialmente Alemanha e Los Angeles. Mas isso será decidido com os pés no chão, apenas quando tivermos certeza da capacidade de realizar esses serviços, diz Silva. Ele, porém, afirma que a empresa vai analisar as rotas abandonadas pela Varig no início deste ano, uma vez sejam realmente canceladas pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
No Brasil, a empresa tem interesse principalmente em abrir operações para Manaus (AM), Belém (PA) e Vilhena (RO) na região Norte, Paulo Affonso (BA), Lençóis (BA) e Mossoró (RN) no Nordeste e Sinop (MT) no Centro Oeste.
(José Sergio Osse | Valor Online)
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